Sobre o Filme
Se você acha que a Hollywood dos anos 1920 era apenas glamour, festas elegantes e inocência em preto e branco, Damien Chazelle está aqui para jogar um balde de água fria — e uma tonelada de purpurina, vômito e jazz — na sua cara. Em "Babilônia", o diretor de "La La Land" abandona a melancolia romântica para abraçar um caos alucinante e febril, retratando a transição monumental do cinema mudo para o falado. O filme é uma montanha-russa sensorial que não pede licença para entrar; ele arromba a porta com uma trilha sonora ensurdecedora e imagens que oscilam entre o belo e o grotesco, mostrando o preço desumano cobrado pela máquina dos sonhos da Califórnia.
Por que Vale a Pena
A grandiosidade da obra se sustenta em cima de atuações magnéticas e totalmente entregues à insanidade proposta pelo roteiro. Acompanhamos essa odisseia decadente pelos olhos de Manny Torres (Diego Calva), um imigrante latino esperançoso que sonha em fazer parte da magia do cinema, e cruzamos o caminho da aspirante a estrela Nellie LaRoy (Margot Robbie, em um furacão de energia pura) e do astro consagrado Jack Conrad (Brad Pitt, excelente ao personificar o peso da obsolescência). A química entre o trio é o coração pulsante da narrativa, ancorando o espectador em meio à grandiosidade caótica dos sets de filmagem e às festas homéricas que desafiam qualquer senso de decência.
Atuações e Produção
Embora divida opiniões pela sua duração generosa e excessos visuais, é impossível não reconhecer a coragem de Chazelle ao escancarar a brutalidade da indústria cinematográfica da época. A comédia afiada dá lugar a momentos de profundo drama humano, lembrando que, enquanto alguns alcançavam a imortalidade na tela grande, centenas de outros eram sumariamente descartados quando o som finalmente encontrou o caminho do celuloide. A recriação de época é um espetáculo à parte, com figurinos deslumbrantes e uma direção de arte impecável que nos transporta diretamente para aquele purgatório de ambição e excessos.
Avaliação Final
No fim das contas, "Babilônia" é uma declaração de amor e, ao mesmo tempo, um grito de ódio ao cinema. É um filme sobre a arte que nos consome, nos destrói, mas que, no fim, sobrevive ao tempo. Merecidamente abraçado pelo público com uma sólida nota 7.3 no TMDB, esta é uma experiência que implora para ser vista na maior tela possível, funcionando como um lembrete vertiginoso de por que nos apaixonamos pelas histórias contadas no escuro, mesmo quando os bastidores revelam ser uma verdadeira torre de Babel.





