Sobre o Filme
Quando "Comer, Rezar, Ladrar" foi anunciado, era difícil não torcer o nariz para o trocadilho óbvio no título, que já sinaliza o tom despretensioso desta comédia alemã dirigida por Marco Petry. O longa nos transporta para um retiro nas montanhas, onde cinco tutores desesperados buscam a salvação com um adestrador lendário para domar seus cães que, vamos ser sinceros, tocam o terror. A premissa é um prato cheio para quem gosta de humor físico e daquela dinâmica clássica de "gente urbana tentando se reconectar com a natureza", mas logo fica claro que o filme quer ir um pouco além da bagunça canina.
Por que Vale a Pena
O elenco, encabeçado pela sempre carismática Alexandra Maria Lara, se esforça para conferir humanidade a arquétipos que poderiam ser facilmente descartáveis. O islandês Rúrik Gíslason traz um charme peculiar à produção, servindo como o contraponto perfeito para a confusão gerada pelos outros personagens. A química entre os tutores funciona em momentos pontuais, criando situações de constrangimento que garantem boas risadas, ainda que a edição, por vezes, pareça apressada demais para desenvolver as frustrações individuais de cada um deles diante de seus pets rebeldes.
Atuações e Produção
O grande trunfo do roteiro, no entanto, é o óbvio que o próprio subtítulo já entrega: o verdadeiro treinamento nunca foi sobre os cachorros. À medida que a convivência forçada nas montanhas avança, o filme tenta, com graus variados de sucesso, fazer uma metáfora sobre os traumas e as falhas de comunicação dos seres humanos. É aí que a obra se equilibra entre o riso fácil e um drama leve. Embora não reinvente a roda do gênero "comédia de erros", o filme consegue ser uma companhia agradável para um domingo à tarde, mesmo que algumas lições de moral soem um pouco batidas.
Avaliação Final
Com uma nota 6.0 no TMDB, o filme se posiciona exatamente onde merece: uma obra mediana, que não pretende ser o novo clássico do cinema, mas que cumpre o papel de entreter sem exigir muito esforço intelectual do espectador. A direção de Petry é segura, porém convencional, e os cães — as verdadeiras estrelas, convenhamos — roubam a cena toda vez que aparecem. Se você é um amante dos animais ou apenas busca uma história descompromissada para relaxar, "Comer, Rezar, Ladrar" é uma escolha honesta, que entrega o que promete, mesmo que não deixe grandes marcas na memória após os créditos subirem.
