Sobre o Filme
Se você acha que os anos 1950 foram uma época apenas de inocência, topetes impecáveis e romances à base de milk-shakes, é porque ainda não conhecia a visão deliciosamente delirante do cineasta John Waters. Lançado em 1990, "Cry-Baby" pega todos os clichês dos filmes juvenis de delinquentes e os transforma em um musical pop vibrante, debochado e extremamente divertido. Baltimore nunca pareceu tão cafona e, ao mesmo tempo, tão irresistivelmente estilizada, servindo de palco para um choque cultural hilário entre a juventude rebelde e a elite moralista da época.
Por que Vale a Pena
A trama nos apresenta a Wade Walker, o "Cry-Baby", um bad boy irresistível cujo único e marcante talento dramático é derramar uma única lágrima capaz de enlouquecer qualquer mulher. Interpretado por um Johnny Depp no auge do seu charme, o personagem vive à margem até se apaixonar por Allison, uma garota certinha que decide cruzar a linha do bom comportamento. O romance improvável entre o líder dos "drapes" (os marginais da escola) e a patricinha dos "squares" (os caretas) rende momentos de puro romance amalucado, embalados por números musicais que grudam na cabeça.
Atuações e Produção
O grande trunfo do filme é o seu elenco exótico e sem medo do ridículo, que conta com a lendária Susan Tyrrell e participações especiais hilárias, como a de Iggy Pop. John Waters, conhecido como o "Papa do Trash", consegue aqui equilibrar sua estética subversiva com uma acessibilidade pop admirável, entregando uma comédia romântica que satiriza o próprio gênero sem perder a ternura. É um universo onde a rebeldia juvenil é celebrada com muito gel no cabelo, jaquetas de couro e lábios sempre prontos para um beijo rebelde.
Avaliação Final
Com uma nota 6.5 no TMDB, "Cry-Baby" é uma obra cult que merece ser redescoberta por quem busca um entretenimento leve, mas com muita personalidade. Não é à toa que conquistou o status de clássico cult da comédia romântica: ele abraça o exagero com tanto carinho que é impossível não se render ao seu charme kitsch. Prepare a pipoca, solte o topete e deixe-se levar por essa viagem nostálgica e irreverente que prova que chorar, às vezes, pode ser o ato mais punk de todos.

