Sobre o Filme
A estreia de Hayley Kiyoko na direção de longas-metragens com "Girls Like Girls" é daquelas surpresas aconchegantes que chegam para aquecer o coração, mesmo quando tratam de feridas profundas. Baseado no videoclipe de sucesso da própria diretora, o filme nos transporta para as paisagens bucólicas e melancólicas da zona rural de Oregon, onde a jovem Coley, de 17 anos, tenta reaprender a viver após a dolorosa perda da mãe. A atmosfera do filme transborda uma sensibilidade tátil; a fotografia capta a luz dourada do campo de forma quase poética, transformando o cenário em um reflexo direto do estado de espírito da protagonista, que navega pelo luto enquanto tenta se abrir novamente para o mundo.
Por que Vale a Pena
O ponto de ignição da narrativa acontece quando Coley cruza o caminho de Sonya, dando início a uma dinâmica repleta de faíscas, mas também de muita hesitação. Enquanto Coley carrega o peso de suas recentes perdas, Sonya se vê em um território totalmente desconhecido, lidando pela primeira vez com sentimentos românticos por outra garota. É justamente nessa zona cinzenta entre o desejo e o medo que o roteiro encontra sua maior força, tratando as inseguranças da adolescência com um respeito genuíno, sem cair em caricaturas fáceis ou melodramas apelativos.
Atuações e Produção
O grande trunfo da produção reside na química magnética entre Maya da Costa e Myra Molloy, cujas atuações trazem uma vulnerabilidade palpável para a tela. Elas conseguem traduzir perfeitamente aquela ansiedade típica da idade, onde cada olhar prolongado e cada toque acidental parecem carregar o peso do universo. Completando o núcleo principal, Levon Hawke adiciona camadas interessantes à dinâmica do grupo, garantindo que o drama romântico também dialogue com as complexidades da amizade e da descoberta de si mesmo durante o amadurecimento.
Avaliação Final
Com uma sólida nota 6.9 no TMDB, "Girls Like Girls" prova ser muito mais do que um mero produto nostálgico para fãs da carreira musical de Kiyoko; é uma obra sensível sobre afeto, coragem e o processo inevitável de abraçar quem realmente somos. Hayley Kiyoko conduz a história com um olhar empático, entregando um romance dramático que acolhe o público e celebra o amor queer com a delicadeza que ele merece. É um convite sincero para lembrarmos de como foi a primeira vez que nos apaixonamos, com todas as suas bebedeiras de expectativas, tropeços e, acima de tudo, esperança.




