Sobre o Filme
O cinema de terror contemporâneo tem buscado em mitologias locais uma nova forma de assustar o público, mas nem sempre a execução acompanha a ambição das premissas. "Kuncen", dirigido por Jose Poernomo e lançado em 2025, chega aos cinemas carregando o peso de uma rica tradição de horror do sudeste asiático, mas tropeça pesadamente na hora de traduzir essa atmosfera para a tela. A promessa de mergulhar em rituais ancestrais e segredos sombrios parecia um prato cheio para os fãs do gênero, contudo, o resultado final acaba se perdendo em clichês desgastados e em uma narrativa que jamais engrena de verdade.
Por que Vale a Pena
No centro da trama, acompanhamos um jovem elenco liderado por Cinta Brian Roberts, Davina Karamoy e Azela Putri, cujos personagens se veem encurralados por forças que não compreendem. Infelizmente, o roteiro não oferece muito espaço para que os atores mostrem a que vieram, limitando suas atuações a reações exageradas de pânico e diálogos expositivos que matam qualquer suspense genuíno. A falta de profundidade dramática faz com que o espectador se sinta completamente indiferente ao destino do grupo, o que é um pecado mortal para qualquer filme que dependa da tensão para funcionar.
Atuações e Produção
Tecnicamente, o longa também deixa a desejar, apostando em um festival de *jumpscares* previsíveis e em uma iluminação tão escura que, em muitos momentos, mal conseguimos distinguir o que está acontecendo em cena. O diretor Jose Poernomo tenta criar um clima de claustrofobia e medo constante, mas a edição truncada e os efeitos visuais de baixa qualidade acabam gerando mais frustração do que calafrios. Aquela sensação de perigo iminente, tão vital para o sucesso de uma boa obra de terror, simplesmente não se sustenta ao longo da projeção.
Avaliação Final
Não é à toa que a recepção do público tem sido implacável, refletida na dura nota 2.8 no TMDB. "Kuncen" acaba se tornando aquela típica sessão que serve apenas para render boas risadas pela falta de lógica, passando longe de cumprir a promessa de pesadelos inesquecíveis. Para os entusiastas mais exigentes do terror, a recomendação é passar longe; para os curiosos de plantão, vale como um estudo de caso sobre tudo o que pode dar errado quando falta coesão a uma produção cinematográfica.




