Sobre o Filme
Imagine herdar um castelo irlandês caindoos pedaços e perceber que a única forma de pagar as contas é inventar que o lugar é assombrado. É com essa premissa deliciosamente absurda que "Malucos e Libertinos" (1988), dirigido pelo premiado Neil Jordan, nos convida a entrar em um universo onde o turismo macabro e a pilantragem familiar dão as mãos. O veterano Peter O'Toole brilha como o aristocrata falido que transforma sua residência histórica em uma pegadinha lucrativa para turistas americanos despresusumidos, liderados pelo sempre carismático Steve Guttenberg.
Por que Vale a Pena
O grande barato da produção está na forma como ela mistura gêneros sem pedir licença a ninguém, transitando livremente entre a comédia pastelão, o terror gótico e a fantasia lúdica. O que começa como um golpe publicitário barato logo toma um rumo inesperado quando fantasmas de verdade decidem aparecer para trabalhar — e para seduzir os visitantes. É nesse ponto que entra a deslumbrante Daryl Hannah, cuja presença etérea e magnética captura perfeitamente o espírito brincalhão e sensual das lendas celtas que habitam as paredes daquela fortaleza secular.
Atuações e Produção
A nota 5.8 no TMDB pode fazer torcedores de nariz torcerem o cocuruto, mas revela exatamente o que o filme é: uma obra cult, imperfeita e cheia de personalidade, daquelas que mereciam muito mais carinho do público moderno. Neil Jordan, antes de se aventurar por dramas densos e vampiros melancólicos, demonstra aqui uma versatilidade curiosa, injetando na Irlanda rural uma atmosfera de desenho animado de horror para adultos, embalada por uma estética oitentista irresistível e cheia de neons e névoas artificiais.
Avaliação Final
"Malucos e Libertinos" é a pedida perfeita para aquela noite em que você quer desligar o cérebro, comer uma pipoca e se divertir com o caos instaurado por um elenco que claramente se divertiu muito no set. Sem a pretensão de revolucionar o cinema, o longa entrega uma viagem nostálgica, divertida e visualmente charmosa, lembrando-nos que, às vezes, os melhores sustos são aqueles que vêm acompanhados de uma boa dose de gargalhadas e muita picardia sobrenatural.



