Sobre o Filme
Lançado em 1997, "Neon Genesis Evangelion: Morte e Renascimento" chegou aos cinemas japoneses cercado de expectativas e urgência, funcionando como um divisor de águas para uma das franquias mais influentes da história da animação japonesa. Sob a direção visionária de Hideaki Anno, o longa-metragem não era apenas um agrado para os fãs ávidos por respostas, mas uma recontextualização corajosa de um universo que já havia transformado a ficção científica e o drama psicológico na TV. A proposta era clara: preparar o público para a grande conclusão que os polêmicos episódios finais da série de televisão haviam deixado em aberto, misturando recapitulação e material inédito.
Por que Vale a Pena
A estrutura do filme se divide exatamente em duas metades que justificam seu subtítulo. A primeira parte, "Morte", funciona como um mosaico dinâmico e estilizado que recompila os principais acontecimentos dos primeiros 24 episódios da série, acompanhados por novas cenas que enriquecem a narrativa. É um exercício fascinante de edição que costura a jornada traumática de Shinji Ikari e dos pilotos dos Evas sob uma nova perspectiva artística, ideal para refrescar a memória do espectador antes do mergulho no desconhecido.
Atuações e Produção
O verdadeiro coração da experiência, no entanto, pulsa na segunda parte, "Renascimento", que serve como o pontapé inicial para o final alternativo da saga. Retomando a história logo após os eventos dramáticos do episódio 24, esta seção entrega uma animação primorosa e uma tensão palpável, mostrando que o mundo de Evangelion ainda guardava reviravoltas avassaladoras. As atuações vocais do elenco original — com destaque para Megumi Ogata (Shinji), Megumi Hayashibara (Rei) e Yuko Miyamura (Asuka) — continuam impecáveis, transmitindo com uma crueza dolorosa o desespero e a vulnerabilidade de jovens forçados a carregar o destino da humanidade nas costas.
Avaliação Final
Apesar de carregar o peso de ser uma obra incompleta — já que a conclusão definitiva só viria com o posterior "O Fim de Evangelion" —, este filme mantém sua relevância intacta e ostenta com justiça uma sólida nota 7.4 no TMDB. É um convite hipnótico para revisitar a mente brilhante e atormentada de Hideaki Anno, que utiliza robôs gigantes e ameaças apocalípticas como fachada para explorar a solidão, a depressão e a busca por conexão humana. "Morte e Renascimento" é, acima de tudo, um ritual de passagem imperdível para qualquer amante de uma boa ficção científica que ouse olhar além do óbvio.






