Sobre o Conteúdo
Quando No Calor de Cleveland estreou em 2010, confesso que olhei para a premissa com aquela pulga atrás da orelha típica de quem já viu dezenas de comédias requentadas sobre mulheres urbanas. A ideia de três amigas na casa dos quarenta anos que abandonam Los Angeles rumo a Paris, mas acabam ilhadas na improvável Cleveland por conta de uma pane no avião, parecia apenas mais um clichê requentado. Contudo, bastou o primeiro episódio para perceber que a criadora Suzanne Martin tinha em mãos um verdadeiro diamante bruto da comédia televisiva tradicional. A série resgatou o formato clássico de sitcom multicâmera com plateia ao vivo, provando que um bom texto e química em cena ainda são imbatíveis.
Por que Vale a Pena
O grande motor dessa comissão de frente impecável é a dinâmica entre as protagonistas, que exalam um timing cômico invejável a cada segundo. Valerie Bertinelli traz uma vulnerabilidade cativante como a romântica incorrigível Melanie, enquanto Jane Leeves diverte horrores na pele da excêntrica e vaidosa Victoria Chase, uma ex-atriz de novela. Mas é Wendie Malick quem rouba a cena como a sarcástica e formidável editora de moda Joy, entregando tiradas ácidas que entram para a história recente da televisão. Juntas, elas abandonam a superficialidade californiana e encontram na calmaria do Meio-Oeste americano uma segunda chance para a amizade e para a vida.
Atuações e Produção
Um dos maiores acertos do roteiro é usar a autodepreciação geográfica como combustível criativo, transformando Cleveland em um personagem tão marcante quanto o trio principal. Longe do glamour plástico de Hollywood, as mulheres precisam lidar com o choque cultural, invernos rigorosos e vizinhos excêntricos que desafiam toda a sua sanidade urbana. É impossível não mencionar a lenda viva Betty White, cuja participação como a espirituosa caseira Elka Ostrovsky eleva a série a outro patamar de genialidade cômica. Elka destila absurdos com uma inocência fingida que desarma qualquer um, tornando-se o coração pulsante e politicamente incorreto da narrativa.
Avaliação Final
Com uma nota de 7.2 no TMDB que reflete o carinho duradouro do público, No Calor de Cleveland se consolidou como um conforto reconfortante para dias difíceis. A produção não tenta reinventar a roda, mas prefere abraçar o aconchego de uma comédia familiar inteligente, ágil e repleta de corações pulsantes. É o tipo de programa que nos lembra por que nos apaixonamos pelas séries de TV desde o princípio, celebrando o envelhecer com muito humor e zero drama desnecessário. Se você procura uma comédia leve, inteligente e com atuações afiadíssimas, essa viagem forçada para Ohio é um destino obrigatório.








