Sobre o Filme
"Primeiro as Damas", a nova aposta da diretora Thea Sharrock, chega aos cinemas com uma premissa que, embora não seja exatamente inédita no cinema de gênero, ganha uma roupagem peculiar ao misturar o humor ácido com elementos de fantasia. A história nos apresenta um protagonista cuja arrogância é tão grande quanto sua conta bancária, interpretado por um Sacha Baron Cohen que transita entre o carisma magnético e a insuportabilidade calculada. Quando o destino o transporta para uma realidade alternativa onde as dinâmicas de poder e as convenções sociais estão totalmente invertidas, o filme promete uma sátira afiada sobre o comportamento humano e as estruturas de gênero.
Por que Vale a Pena
O grande trunfo da produção é, sem dúvida, o entrosamento do trio principal. Rosamund Pike entrega uma performance elegante e autoritária que serve como a âncora perfeita para o caos instaurado pelo personagem de Baron Cohen. A presença de Tom Davis acrescenta um alívio cômico necessário, funcionando como um contraponto terrestre às situações cada vez mais absurdas que o protagonista enfrenta. É evidente que o elenco se diverte com o conceito, trazendo uma energia vibrante que ajuda a mascarar algumas irregularidades do roteiro, mantendo o espectador engajado mesmo nos momentos de exposição mais óbvia.
Atuações e Produção
Contudo, a execução técnica oscila tanto quanto a nota 6.0 no TMDB sugere. Enquanto o design de produção cria um mundo paralelo visualmente instigante e bem resolvido, o filme sofre com um ritmo que, por vezes, patina entre a sátira social profunda e o humor pastelão preguiçoso. A direção de Sharrock parece indecisa sobre o quão longe deve ir com a sua premissa fantástica, resultando em certas sequências que parecem desconectadas do propósito central da narrativa. Há um potencial desperdiçado ali; a sátira acerta em cheio em alguns pontos, mas acaba cedendo a clichês que enfraquecem a força da sua crítica.
Avaliação Final
Em última análise, "Primeiro as Damas" é aquele tipo de filme que funciona muito bem como entretenimento descompromissado de fim de semana, mas que deixa um gostinho de "quase lá". É uma comédia divertida, com sacadas inteligentes e um elenco de peso que justifica o ingresso, mas que não consegue sustentar a profundidade que o seu conceito ousado exigia. Vale a conferida pela curiosidade de ver Baron Cohen fora da sua zona de conforto habitual e pela sempre impecável Rosamund Pike, mas vá sem esperar uma obra-prima da fantasia satírica. É um filme honesto, que diverte sem pretensões de mudar a história do cinema.
