Sobre o Filme
Quando a Sony anunciou que faria um filme solo do Venom sem a presença do Homem-Aranha, torci o nariz, confesso. Dirigido por Ruben Fleischer, o longa apostou em uma pegada de ficção científica com ação desenfreada que, curiosamente, encontrou seu maior trunfo no carisma caótico de seu protagonista. Tom Hardy assume o papel do jornalista investigativo Eddie Brock e entrega uma atuação física impressionante, conseguindo vender a ideia absurda de que ele está dividindo o próprio corpo com uma entidade alienígena gosmenta e faminta. É um filme que não se leva totalmente a sério, e essa autoconsciência acaba salvando a pele da produção em vários momentos.
Por que Vale a Pena
A premissa é simples e direta ao ponto: Brock perde tudo após peitar a corporação Life Foundation, comandada pelo bilionário excentricamente vilanesco Carlton Drake, interpretado por Riz Ahmed. Ao investigar os experimentos secretos da empresa com simbiontes extraterrestres, Eddie acaba se fundindo ao parasita Venom. A partir daí, a dinâmica entre os dois é o verdadeiro coração da obra. Temos um buddy cop movie às avessas, onde um humano cheio de dilemas morais precisa negociar o espaço interno com uma criatura extraterrestre cuja solução para qualquer problema envolve, invariavelmente, arrancar cabeças.
Atuações e Produção
Nas sequências de ação, Fleischer entrega o que o público espera de um blockbuster de super-heróis, mesmo que o personagem habite uma zona cinzenta entre herói e monstro. Perseguições alucinantes pelas ruas de São Francisco e confrontos corporais intensos mantêm o ritmo ágil, embora a edição em alguns momentos peque pelo excesso de cortes rápidos. A nota 6.8 no TMDB reflete bem o consenso geral: não estamos diante de uma obra-prima revolucionária do gênero, mas de um entretenimento honesto que cumpre o que promete, apoiando-se fortemente nos efeitos visuais convincentes do simbionte e na química bizarra entre homem e monstro.
Avaliação Final
Vale destacar também a presença de Michelle Williams como Anne Weying, que tenta ancorar a narrativa em algum tipo de realidade dramática, mesmo que o roteiro nem sempre ajude. "Venom" funciona melhor quando abraça o seu lado "terrir" romântico e disfuncional, transformando a simbiose em uma comédia de convivência involuntária. É um filme imperfeito, cheio de excessos e com um terceiro ato barulhento, mas que diverte do início ao fim justamente por assumir sua própria bizarrice com um sorriso no rosto — ou melhor, com vários dentes afiados.








